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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Criar personagens


Por que desenvolver personagens?

Me afastei um pouco da teoria literária, porém, o artigo de hoje inicia uma série sobre desenvolvimento e criação de personagens. Levei alguns anos para entender a importância das personagens para o enredo. No começo eu estava interessado em desenvolver cidades, com seus detalhes e peculiaridades, de forma mais aprofundada que as cidades criadas por Italo Calvino em "As cidades invisíveis", sem perceber, estava fazendo da cidade uma personagem. O que depois constatei dessa forma de criar foi a limitação do método, pois a cidade como personagem principal faz das personagens/habitantes meros "reflexos" da personalidade dominante do meio/cidade. Foi desse modo que entendi a importância de criar as personagens/habitantes antes do meio onde elas se desenvolverão, permitindo assim uma pluralidade de personalidades para o enredo.
Inverter o método necessitou de um trabalho muito mais minucioso, e confesso primeiramente não dominar ainda de todo essa forma de criação, pois as personagens que criei a partir desse ponto não tinham profundidade tridimensional que desejava, conseguindo unicamente um efeito bidimensional e superficial que não me agradou. Personagens não precisam ter uma realidade exacerbada, como por exemplo "Fritz: the cat" criado pelo desenhista Robert Crumb, Fritz é um gato, sim, completamente hiperbólico em seu comportamento desregrado, é caricato, podemos dizer que sob todos esses aspectos se trata de algo inverossímil na vida real, todavia, para as situações nas quais está envolvido suas escolhas o tornam verossímil e se sua personalidade for dividida em camadas, suas escolhas, mesmo reprováveis e politicamente incorretas para alguns, são completamente humanas, e as quais todos estamos sujeitos. A grande profundidade da personagem, que a torna unica, é o fato de, enquanto nós estamos sujeitos a fazer uma dessas escolhas por vez, Fritz faz todas as escolhas ao mesmo tempo.
E como forma a desenvolver essa criação de personagens tridimensionais passei a estudar obras que obtiveram êxito nesse desenvolvimento para servir de base ao método de criação de personagens tridimensionais.
 A abordagem dessas obras será feita nos próximos artigos.

sábado, 25 de setembro de 2010

Geraldo vandré não foi torturado


Nesse sábado, dia 25 de setembro de 2010, foi exibido no canal Globo News, no programa Dossiê Globo News, um programa com uma entrevista, primeira após anos de silêncio, do cantor e compositor Geraldo Vandré. Quanto ao programa foi muito bem realizado com boas perguntas e boa produção. Quanto a Geraldo, antes do início da entrevista temos uma idéia, um ídolo, uma projeção que se formou através dos anos inspirado por suas músicas proféticas e reveladoras, imaginamos o sofrimento pelo qual passou ao levantar a voz em um tempo que era mais ajuizado calar. Com essa imagem entramos na entrevista, porém não é com ela que saímos, a cada minutos dela vemos um mito sendo destruído pelas suas próprias palavras. Geraldo Vandré diz que, não sofreu torturas durante o período da ditadura, não é antimilitarista e nunca foi em toda a sua vida, assim como suas letras e para encerrar canta uma música que compôs para a FAB, isso mesmo, o “grande perseguido” pelos militares compôs uma música para as Forças Aéreas Brasileiras. A entrevista foi concedida em um hotel onde o compositor vive, às custas da própria aeronáutica. Questionado sobre seu exílio responde que parou de cantar por sua própria vontade ao se ver em meio a uma sociedade que não lhe proporcionava mais motivos para seu cantar. Até mesmo a música “Pra não dizer que não falei das flores/ Caminhando e cantando” ele disse que não era antimilitarista. E após suas declarações, volta a se calar dizendo que tem um projeto para lançar um CD para uma gravadora de língua espanhola e que não pode prever se voltará a fazer shows no Brasil. Assim termina a tão aguardada entrevista, e em um mar de retóricas, nos perguntamos sobre a lucidez do compositor, sobre se o que diz realmente é verdade ou estaria escondendo tudo o que realmente aconteceu. Independente de farsa ou verdade, a única certeza é que quando os créditos sobem e desligamos a televisão nós estamos um pouco mais tristes.

“Há uma coisa inevitável na queda dos deuses; não caem um pouco de cada vez, mas desmoronam abruptamente e se espatifam, mergulhando num instante no lodaçal. É um trabalho árduo e tedioso tornar a erguê-los, mas a verdade é que nunca mais brilham como antes.”
John Steinbeck

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A crise


A crise financeira global passou, e dos seus escombros o mundo tem conseguido se reconstruir, porém agora uma nova crise está rondando, alguns dizem ser uma crise menor e sem importância, para outros se torna um pesadelo crescente. A crise da qual me refiro é a crise do cinema, tanto do cinema mainstream americano, sendo Hollywood seu maior expoente, quanto no resto do mundo. Não é a primeira vez que isso acontece, a mais recente foi a crise dos anos 80 e inicio dos anos 90, que possibilitaram um reinado temporário dos filmes de ação sem profundidade e escritos por alunos do curso primário, foi a era dos "Rambos", dos "Van Dammes", dos "Steven Seagals". Tempo das sequências arrastadas e arrasadas do "Poderoso Chefão 3(1990)", "Alien(1987)", "Exterminador do futuro(1984)". A década das grandes decepções das prêmiações do Oscar como "Dança com Lobos(1991)", "Conduzindo Miss Daisy(1990)", "Entre dois amores(1986)", "Carruagem de Fogo(1982)". A lista é imensa, tem "Coocon", "De volta para o futuro", "Indiana Jones". Só não podemos dizer que foi uma época perdida, por ter alguns que continuaram com seu excelente trabalho, nomes como Woody Allen, Bergman, Kurosawa, irmãos Cohen.
Felizmente em 1994 "Pulp fiction" chegou para abrir os olhos de todos, questionando para onde o cinema estava indo e então as coisas começaram a melhorar. As trevas das repetições, da falta de criatividade e talento ficavam para trás. Infelizmente, essas trevas não podiam ser acorrentadas como a um titã e nesse final de década parece ter nos encontrado, como se estivesse a espera em uma esquina próxima esperando que a encontrássemos. Até mesmo Sofia Coppola, em uma entrevista no festival de Veneza, admitiu que estamos passando por uma época difícil para os diretores independentes. E no ano que promete "Tron: Legacy" ser o melhor do ano não nos permite discordar da diretora. Sofremos uma avalanche de refilmagens, e do estilo "Jerry Bruckheimer", um padrão estético no qual a bilheteria é o único fator levado em consideração. Também temos os pseudocults como "A origem" e "A ilha do medo". Os filmes de vampiros, os filmes de HQs. Passamos pelo esquecimento da comédia como gênero transformando-na em meros sub-gêneros de qualidade duvidosa, ramificando-na em "comédias-românticas", "comédias-pastelão", "comédias de humor-negro", sem falar no terror que também perde suas características para o "gore". Para onde estamos indo? Será que há saída? Numa crise resta-nos torcer por um final feliz, o problema é saber quanto tempo teremos de esperar e dessa vez não temos Woody Allen, Bergman, Kurosawa para nos salvar durante esse devir.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Faulkner

A seguir um dos trechos que mais gosto do livro "O som e a fúria" de William Faulkner:

"Era o relógio de meu avô, e quando o ganhei de meu pai ele disse Estou lhe dando o mausoléu de toda esperança e todo desejo; é extremamente provável que você o use para lograr o reducto absurdum de toda experiência humana, que será tão pouco adaptado às suas necessidades individuais quanto foi às dele e às do pai dele. Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo o seu fôlego tentando conquistá-lo. Porque jamais se ganha batalha alguma, ele disse. Nenhuma batalha sequer é lutada."


Outra frase célebre de faulkner: http://notasparaoesquecimento.blogspot.com/2011/03/falkner-2.html


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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Segundos

Tudo pode acabar em um segundo. Tudo. É o tempo que dura o amor. Um segundo infinito, ou não.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Escrever

É escrevendo mais que se aprende a escrever, porém, o fato de escrever mais não significa que você começará a escrever melhor. Escrever não progressivo, que melhora com o passar dos anos. Se isso fosse verdade o último livro do escritor Gabriel García Márquez seria melhor que Cem anos de Solidão. O que é praticamente impossível. Ninguém diz que escrever é uma arte ingrata. Mas é.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Escritos e escritores

Tem algo na poesia que pode levar um homem ao abismo, disse Bukowski. Ele estava certo, todo escritor sonha em não ser escritor, por que não ser engenheiro, médico, motorista de táxi? Qualque coisa seria melhor. Ninguém pede para ser escritor, é como um cancêr, está fora das nossas decisões. Escritores não sonham em escrever, porém, essas palavras que escrevo, me mantém longe da loucura total, não é Buk?

sábado, 3 de outubro de 2009

Mundos

Sabe como nascem os mundo? Eles nascem do caos, da espuma das explosões. A vida que vem da morte e morre outra vez. Os mundo nascem complexos, criam o tempo, o espaço, eles não tem destino, ou vontade, não significam nada, como a vida, para Shakespeare. Dos mundo o tempo avança, tão solitário quanto viagens alucinógenas e beijos na chuva.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cidade

Uma cidade cada vez mais caótica, engarrafamentos infinitos sob prédios babélicos. Ruas que não param de transitar carros, para onde todos eles vão? Todos tem que chegar cedo a algum lugar, mas sempre estarão atrasados, uma cidade muito grande para vidas tão pequenas. Vender a alma e pagar seus pecados no domingo. Todos querendo encontrar salvação, mas no fim, só as bailarinas vão para o céu.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sonhor

Em um sonho Hare Krishna, sem começo, meio e fim, ou meio, fim e começo, no meio de uma explosão de bombas de silício, sob uma árvore edênica no mar de cazemira. Olhei nas cinco direções e não achei na sexta, quando uma onda de trezentos megahertz de altura mergulhou no relógio da parede de Londres. Tentei ler os algarismos em sânscrito, mas a resposta era algo em torno de dois. Atravessei a rua e cheguei na Dinamarca, calor de cinquenta graus, derreteu o chão e cai na toca do coelho, só que o coelho tinha sido devorado por um lobo subnutrido do terceiro mundo. O lobo sorriu e disse que alguém devia estar errado, perguntei quem, ele disse alguém e saiu correndo atrás de soldados em forma de cartas de baralho. O dia ficou frio e a noite também, dormi e acordei e acordei. Tentei voltar para aquele sonho, só que entrei em um outro com templários de cabelo Woodstock e barbas postiças e óculos sem lentes, mas nesse você também não estava lá. Por mais que procure você nunca está.

sábado, 26 de setembro de 2009

Poor Pierrot

Qual o caminho que nós entramos para deixar de sermos nós mesmos e nos tornarmos o que não queriamos? Poor Pierrot. Algum lugar que jogamos as malas pela janela sem olhar o que tem dentro, sem olhar que somos nós que estamos dentro. Poor Pierrot. Poucas coisas sobraram para se acreditar, sem ideologias, idéias, sonhos, tudo foi soterrado pelos paredes do tempo. Quando perguntam em que acredito, não respondo. Acredito na beleza das mulheres por quem me apaixonei e pelas quais sou esquecido. Poor Pierrot.
Um brinde à solidão dos escritores malditos.
Amém.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Do título

Talvez o título do blog tenha sido um pouco precipitado, pensei em um melhor, Back from hell, se o blog fosse criado hoje colocaria esse nome, tem alguma coisa de Blake e sua Jerusalém, mas agora é tarde demais, como sempre é. Além de que Notas para o esquecimento não é ruim, é até um pouco irônico, são notas para esquecer que ficarão para sempre escritas, como o passado que não pode ser apagado. Quando aperto o botão publicar não tem mais volta, está feito, está esquecido.