sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A bittersweet life

Estava assistindo o filme koreano "A bittersweet life", não posso dizer que gostei muito, tem seus méritos, sim, porém o roteiro deixou a desejar. O que me chamou a atenção foi uma lenda contada no filme a qual achei muito interessante:

Uma noite o aprendiz que dormia agitado acordou chorando.
O mestre perguntou se ele tinha tido um sonho ruim.
O aprendiz respondeu que não.
O mestre, então perguntou se ele tinha tido um pesadelo.
O aprendiz, calmamente, enxugando as lágrimas do rosto respondeu que não.
Ora, por que você acordou chorando, perguntou o mestre confuso.
Por que eu tive um sonho doce, respondeu o aprendiz. Que nunca se tornará realidade.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A crise


A crise financeira global passou, e dos seus escombros o mundo tem conseguido se reconstruir, porém agora uma nova crise está rondando, alguns dizem ser uma crise menor e sem importância, para outros se torna um pesadelo crescente. A crise da qual me refiro é a crise do cinema, tanto do cinema mainstream americano, sendo Hollywood seu maior expoente, quanto no resto do mundo. Não é a primeira vez que isso acontece, a mais recente foi a crise dos anos 80 e inicio dos anos 90, que possibilitaram um reinado temporário dos filmes de ação sem profundidade e escritos por alunos do curso primário, foi a era dos "Rambos", dos "Van Dammes", dos "Steven Seagals". Tempo das sequências arrastadas e arrasadas do "Poderoso Chefão 3(1990)", "Alien(1987)", "Exterminador do futuro(1984)". A década das grandes decepções das prêmiações do Oscar como "Dança com Lobos(1991)", "Conduzindo Miss Daisy(1990)", "Entre dois amores(1986)", "Carruagem de Fogo(1982)". A lista é imensa, tem "Coocon", "De volta para o futuro", "Indiana Jones". Só não podemos dizer que foi uma época perdida, por ter alguns que continuaram com seu excelente trabalho, nomes como Woody Allen, Bergman, Kurosawa, irmãos Cohen.
Felizmente em 1994 "Pulp fiction" chegou para abrir os olhos de todos, questionando para onde o cinema estava indo e então as coisas começaram a melhorar. As trevas das repetições, da falta de criatividade e talento ficavam para trás. Infelizmente, essas trevas não podiam ser acorrentadas como a um titã e nesse final de década parece ter nos encontrado, como se estivesse a espera em uma esquina próxima esperando que a encontrássemos. Até mesmo Sofia Coppola, em uma entrevista no festival de Veneza, admitiu que estamos passando por uma época difícil para os diretores independentes. E no ano que promete "Tron: Legacy" ser o melhor do ano não nos permite discordar da diretora. Sofremos uma avalanche de refilmagens, e do estilo "Jerry Bruckheimer", um padrão estético no qual a bilheteria é o único fator levado em consideração. Também temos os pseudocults como "A origem" e "A ilha do medo". Os filmes de vampiros, os filmes de HQs. Passamos pelo esquecimento da comédia como gênero transformando-na em meros sub-gêneros de qualidade duvidosa, ramificando-na em "comédias-românticas", "comédias-pastelão", "comédias de humor-negro", sem falar no terror que também perde suas características para o "gore". Para onde estamos indo? Será que há saída? Numa crise resta-nos torcer por um final feliz, o problema é saber quanto tempo teremos de esperar e dessa vez não temos Woody Allen, Bergman, Kurosawa para nos salvar durante esse devir.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Faulkner

A seguir um dos trechos que mais gosto do livro "O som e a fúria" de William Faulkner:

"Era o relógio de meu avô, e quando o ganhei de meu pai ele disse Estou lhe dando o mausoléu de toda esperança e todo desejo; é extremamente provável que você o use para lograr o reducto absurdum de toda experiência humana, que será tão pouco adaptado às suas necessidades individuais quanto foi às dele e às do pai dele. Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo o seu fôlego tentando conquistá-lo. Porque jamais se ganha batalha alguma, ele disse. Nenhuma batalha sequer é lutada."


Outra frase célebre de faulkner: http://notasparaoesquecimento.blogspot.com/2011/03/falkner-2.html


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O melhor escritor

O melhor escritor é sempre o que não escreve, é o mais lúcido por saber que todas as palavras já foram ditas, todas as idéias já discutidas. O grande escritor se cala, pois o silêncio incomoda como vespas na garganta. O silêncio de quem tem o que dizer e não diz, preferindo deixar o resto do mundo com sua ignorância. Escrever é ruidoso, as palavras gritam esquizofrênicas, e os únicos silêncios permitidos são, os pequenos silêncios das vírgulas, os médios silêncios dos pontos, os abismos dos parágrafos, de tanto gritar com tão poucos excessos, os escritores preferem se calar, cansados, rendidos. Como disse Orides Fontela: "A lucidez alucina.", e a unica saída é a saída, o uróboro de onde nunca saímos, pois escrever é um vício do qual não há saída, e mesmo o não escrever é uma forma de escrever.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Novo título

Pensei em em novo nome para o blog, acho que poderia se chamar "O Vácuo", seria interesante, pois o vácuo é para onde vão as palavras, as idéias, no vácuo elas podem ser melhor esquecidas que nas notas para o esquecimento, notas duram para sempre, mesmo as do esquecimento. Agora, o vácuo torna tudo invisível, se você gritar no vácuo ninguém te escutará, no vácuo sempre se está sozinho e gritando.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Meu livro: "Do paraíso e seu exílio"

Finalmente terminei meu livro, estou conversando com a editora e em breve vou colocar um link para que possam ler uma parte. É a história de um casal que resolve isolar-se em uma casa para sempre, e passam a viver do jardim nos fundos, dessa forma eles acreditam retornar ao paraíso proíbido do qual a raça humana foi expulso, e talvez o único lugar que os homens tiveram para ser felizes.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Segundos

Tudo pode acabar em um segundo. Tudo. É o tempo que dura o amor. Um segundo infinito, ou não.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Escrever

É escrevendo mais que se aprende a escrever, porém, o fato de escrever mais não significa que você começará a escrever melhor. Escrever não progressivo, que melhora com o passar dos anos. Se isso fosse verdade o último livro do escritor Gabriel García Márquez seria melhor que Cem anos de Solidão. O que é praticamente impossível. Ninguém diz que escrever é uma arte ingrata. Mas é.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Escritos e escritores

Tem algo na poesia que pode levar um homem ao abismo, disse Bukowski. Ele estava certo, todo escritor sonha em não ser escritor, por que não ser engenheiro, médico, motorista de táxi? Qualque coisa seria melhor. Ninguém pede para ser escritor, é como um cancêr, está fora das nossas decisões. Escritores não sonham em escrever, porém, essas palavras que escrevo, me mantém longe da loucura total, não é Buk?

sábado, 3 de outubro de 2009

Mundos

Sabe como nascem os mundo? Eles nascem do caos, da espuma das explosões. A vida que vem da morte e morre outra vez. Os mundo nascem complexos, criam o tempo, o espaço, eles não tem destino, ou vontade, não significam nada, como a vida, para Shakespeare. Dos mundo o tempo avança, tão solitário quanto viagens alucinógenas e beijos na chuva.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cidade

Uma cidade cada vez mais caótica, engarrafamentos infinitos sob prédios babélicos. Ruas que não param de transitar carros, para onde todos eles vão? Todos tem que chegar cedo a algum lugar, mas sempre estarão atrasados, uma cidade muito grande para vidas tão pequenas. Vender a alma e pagar seus pecados no domingo. Todos querendo encontrar salvação, mas no fim, só as bailarinas vão para o céu.